Cemitério Santa Cândida ganha Memorial do Holocausto

Cemitério Santa Cândida ganha Memorial do Holocausto

Notícia23 de fevereiro de 2023

Obra também trouxe diversas melhorias

No dia 19 de dezembro de 2021, ocorreu a cerimônia de inauguração do Memorial do Holocausto e das melhorias no Cemitério Israelita Santa Cândida. A obra foi realizada pelos irmãos Irit, Gal e Ron in memoriam de Amnon e Josette Czerny z”l. Com projeto concebido pelo arquiteto Claudio Libeskind, de São Paulo, e executado com apoio da arquiteta Eliane Melnick Fisbein.   

O memorial tem uma escultura, com lanças que brotam do chão, saindo de uma Estrela de David, na qual estão escritas as palavras: Tsedaká; Shalom; Tikvah; Chaim Tovim; Chinuch e Mitzvah. As pontas afiadas e assimétricas representam a violência enfrentada pelo nosso povo. Mas existe esperança nos raios que se espalham pela terra, que representam a coragem e a resiliência do povo judeu em continuar praticando o Tikun Olan, e no piso da escultura, o formato de uma Estrela de David. O arquiteto Claudio Libeskind conta alguns detalhes deste que foi o primeiro memorial que criou. “Usamos o aço corten, um material vivo que vai mudando ao longo dos anos, e que leva cobre na sua composição e vai criando uma pátina cor de ferrugem que o protege por muitos anos”.

Outro destaque é a trilha musical reverenciando a memória de todas as vítimas que morreram no Holocausto. É possível sentar no espaço e ouvir a produção feita especialmente pela cantora, compositora e produtora musical Fortuna Safdié. “Foram inseridas canções emblemáticas que se mesclam com a História do Povo Judeu, iniciando-se com a música Erev Shel Shoshanim (A Noite das Rosas), de Yosef Hadar e Moshe Dor que foi gravada em 1957 na voz de Yafa Yarkoni z”l, renomada cantora israelense, prima de Amnon Czerny z”l, e interpretada por mim. Esta canção é um dos primeiros temas de amor associada à época da criação do Estado de Israel”, explica Fortuna.

“Não poderia deixar de incluir as músicas de Naomi Shemer z”l, considerada a primeira dama da música e da poesia de Israel, Yerushalaim Shel Zahav, de 1967 e Lu Yehi, de 1973. Yerushalayim Shel Zahav, Jerusalém de Ouro, foi composta após a Guerra dos Seis Dias, quando Jerusalém retornou para os judeus. Esta canção se tornou um hino nacional e espiritual de Israel, sendo a música mais cantada de todos os tempos em hebraico”, complementa.

 Zog Nit Keinmol (Não Diga Nunca), Hino dos Partisans, composta em yidishe, em 1943, é apresentada em português, na versão de Gustavo Kurlat:

 

O presente brilha no sol do amanhã 

que o inimigo se desfaça em nosso afã,

mas se o sol não iluminar logo esse chão

que o futuro faça eterna essa canção. 

 

Este grito é chumbo, sangue e coração,

não um canto alado, nem uma oração

entre a queda de muralhas e a razão,

canta um povo que está em pé

e de armas na mão”.

El Male Rahamim, entoada pelo chazan Oren Boljover, é uma oração fúnebre aqui recitada em memória dos seis milhões de judeus, vítimas do Holocausto, que jamais serão esquecidos! O Kadish, que em aramaico significa Sagrado, enfatiza a glorificação e santificação do nome de Deus, e reverencia e pontua na liturgia a memória dos entes que partiram. Por fim, na voz do Chazan Ale Edelstein, o pedido profundo de Hashkiveinu Adonai, para que o Altíssimo nos cubra com seu manto de Paz.

Além do Memorial do Holocausto, a obra no Cemitério Israelita Santa Cândida contou com diversas melhorias, desde a fachada com novo portão e pintura, construção de sala de apoio com banheiros, corrimão, bancos, iluminação e paisagismo.

Na inauguração estiveram presentes os rabinos Pablo Berman, da Kehilá do Paraná, Yossi Schildkraut, do Beit Chabad do Itaim, e Mendy Stolik e Mendy Labkowski. Foram acesas 6 velas em memória das vítimas do Holocausto.

Irit Czerny Schilis, agradeceu em nome da família e de seus irmãos, Gal Czerny e Ron Czerny, a oportunidade de realizar a obra. “Tudo começou quando a ima faleceu e o aba disse que tínhamos que deixar o cemitério mais bonito. Em seguida, foi ele quem faleceu. A obra durou um ano e meio e, além das melhorias, a ideia do Memorial é porque meu pai era um sobrevivente do Holocausto”, contou.

A pedra que explica o projeto veio de Jerusalém: “Ela é inspirada no Memorial Flecha Negra, em Sderot, Israel, em que há 51 pedras como essa contando a história das missões das quais meu pai, Amnon, atuou como comandante”, explica Ron.

Charles London, diretor religioso da Kehilá, comentou sobre a particularidade da nossa comunidade: “Apesar de sermos um número pequeno de famílias em comparação a outras comunidades, o nosso vínculo com o Holocausto é muito grande. E esse Memorial tem uma simbologia muito grande, como tudo no judaísmo”.

A família Czerny pensou com profundo respeito, carinho e dedicação como podiam disseminar a luz de Amnon e Josette z”l, para continuar brilhando, deixando para toda a nossa Kehilá um legado de memória, de evocação, de luz, símbolo de eternidade e presença. Por isso os sábios do Talmud percebem e chamam este espaço sagrado de Beit Almin, ou Beit Olamim, a casa da presença eterna das almas dos nossos entes queridos”, afirmou o Rabino Pablo.

O rabino Yossi Schildkraut comentou que “nossos entes queridos que já se foram vivem através de seus descendentes. Mesmo após algumas gerações do Holocausto, talvez a gente não se lembre a mesmas histórias, nem tenha vivido o que eles passaram, mas a grande diferença é que a gente se importa em manter essa história viva”.

O presidente da Kehilá do Paraná, David Chaim (Duda) Bergman agradeceu a doação em nome da comunidade: “A família Czerny se dedicou muito para este projeto que é um enorme presente para todos nós. Nossa Diretoria está aberta para propostas e projetos especiais como este e, sem dúvida, é uma grande mitzvá e uma linda homenagem aos queridos que já se foram”.